domingo, 6 de janeiro de 2008

Cuidados com a higiene oral e o diabetes

Descuido com a higiene oral pode ser uma porta aberta para complicações nas pessoas com diabetes.

A conduta teoricamente ideal a ser seguida é a de manter visitas regulares ao dentista de quatro em quatro meses, ao invés dos seis normalmente recomendados. Por que? Devido a vários fatores. Um deles é a microangiopatia (problemas circulatórios que afetam os pequenos vasos sangüíneos), o que exige mais cuidado por parte do especialista.

O outro fator é a ligação direta entre o bom controle glicêmico e o cuidado com os dentes. Um paciente compensado com certeza terá menores complicações no tratamento. Por outro lado, uma infecção pode ser a responsável pela dificuldade de controlar a glicemia.

Cáries e Doenças Periodontais

As doenças periodontais (causadas pelo acúmulo de bactérias na junção entre a gengiva e os dentes) causam infecções na gengiva, o que pode dificultar o controle do diabetes. Além disso, muitas vezes a salivação fica reduzida. Como ela é um fator muito importante contra a cárie e a doença periodontal, a defesa natural do organismo começa a falhar.

A cárie, por exemplo, pode surgir por vários motivos. Um deles é o Ph da saliva. Todos temos uma característica específica de Ph de saliva para neutralizar os agentes que atacam os dentes. Se ela é forte o bastante para eliminar os ácidos, as chances de aparecimento de doenças diminuem sensivelmente. O açúcar baixa o Ph, deixando a saliva um pouco ácida e aumentando as chances de aparecimento de problemas.

É fundamental não consumir açúcar mais de três vezes ao dia, pois a saliva consegue recuperar o Ph ideal em, aproximadamente, três vezes a cada 24 hs. Caso contrário, o Ph fica ácido e aí já se sabe o resultado: cárie e doença periodontal.

Hipoglicemia e Hiperglicemia

É bom que a pessoa com diabetes esteja bem orientada para evitar, por exemplo, crises de hipoglicemia que a obrigam à ingestão de açúcar. Mas se eventualmente acontecer e for preciso tomar um tablete de glicose, é fundamental fazer uma higiene oral após o restabelecimento. Lembre-se que um cuidado simples como esse pode reduzir o número de visitas ao dentista.

Em geral, a hiperglicemia está ligada a infecções. Ou seja, quanto mais elas progredirem, mais chance da hiperglicemia se repetir. Se a dieta for deixada de lado, por exemplo, há uma maior probabilidade de acontecer uma hipo ou hiperglicemia, deixando o paciente descompensado.

No entanto, a descompensação não deve afastar a pessoa da consulta ao dentista. Mas não é ela quem vai decidir isso sozinha. É uma interação que envolve o dentista e o endocrinologista.

Uma Relação de Confiança

O ideal é que o dentista esteja capacitado para lidar com este tipo de paciente. Ele deve estar pronto para resolver eventuais complicações, atuando de maneira segura. Primeiramente o profissional faz uma anamnese (histórico das queixas), onde deve perguntar sobre diabetes. Alguns dentistas, mesmo diante de uma resposta negativa, exigem uma avaliação glicêmica - ou até mesmo coagulograma, exames clínicos, cardiológicos e, no caso de pacientes infantis, exames pediátricos, antes de realizar qualquer cirurgia. Outros costumam ter glicosímetros e demais equipamentos no consultório, para se certificarem de que o paciente não corre riscos numa cirurgia ou tratamento, onde uma descompensação glicêmica pode conduzir a situações mais complexas.

O dentista precisa ter a confiança do paciente. O esclarecimento do que está sendo feito contribui para uma maior tranqüilidade. No entanto, existe uma controvérsia entre os dentistas sobre a conveniência da sedação para acalmar os pacientes diabéticos. Uns consideram a conduta especial dentro da Odontologia, outros a consideram desnecessária. Seria como um último recurso e só recomendam o uso de tranqüilizantes em casos extremos. A maioria afirma que o ideal é que haja confiança no profissional.

Cuidados com a Anestesia

Com a evolução dos medicamentos, surgem anestésicos cada vez mais seguros, porém uma avaliação pode restringir a utilização. Atualmente os dentistas podem optar pelo tempo de ação do medicamento na corrente sanguínea, que será mais ou menos demorado, de acordo com o quadro apresentado pelo paciente.

Quanto ao uso de anestésico com vasos constritores, alguns consideram que evitar seria o ideal. Mas nem sempre é possível e, quando for realmente necessário, recomenda-se a aplicação repetida em doses fracionadas, lembrando que a pessoa com diabetes tem menor capacidade de metabolizar a droga. Em caso de cirurgia indica-se o tratamento em etapas.

Dicas Interessantes

Alguns conselhos podem ser bastante úteis na hora de marcar a consulta. Procure manter uma certa regularidade, o que também reduz o tempo no consultório dentário. Se puder optar, escolha o período da manhã para as consultas. Este é o horário em que podemos administrar melhor o stress diário.

Extração e Medicamentos

A extração também é um problema delicado, pois toda cirurgia de tecidos de parte mole (gengiva) ou parte dura (osso) exige precauções. O uso de antibióticos na pessoa com diabetes deve ser feito com cuidado, pois pode gerar efeitos colaterais.

Para evitar todas essas complicações, a pessoa com diabetes, mais do que ninguém, deve cuidar dos dentes. Visitas periódicas ao dentista e limpeza adequada - como o uso correto da escova, flúor (principalmente em pessoas de baixa salivação), fio dental e controle da ingestão diária de açúcar - são alguns dos cuidados fundamentais a serem seguidos.

Mesmo pessoas que usam dentaduras devem visitar o dentista, pelo menos uma vez por ano, para fazer o exame preventivo. E lembrem-se de que pessoas com diabetes devem manter o controle metabólico adequado, juntamente com cuidados periodontais preventivos, pois com boa higiene oral diminui o risco de doenças. Siga as orientações do seu dentista!